Frio e madrugada. outro inverno. a noite chega rápido nessa epoca do ano.
Ao contrario da maioria das pessoas, eu me acendo, em 220 v. quanto mais tarde, melhor. mais vontade tenho de ficar por ai, de dirigir pela marginal pinheiros, olhando as luzes dos predios refletidos na agua do rio. especialmente proximo ao shopping morumbi.
O tempo para, enquanto dirijo de volta pra casa.
[as luzes no rio me lembram sempre o abajur, ao lado do telefone, que meu pai deixava ligado na sala para quando eu chegasse. Intensa, chegava morta mas muito acelerada. Dai realizava o mesmo ritual para acalmar: tirava os sapatos, pegava algo pra comer e ao inves de sentar diretinho na cadeira - eu botava os dois pes no assento, agachava e ficava la pensando no que havia sido. Meu pai, provavelmente, teria um troço se visse a cena: primeiro, os pés sujos na cadeira verde oliva cheia de historia dele e depois, a minha falta de modos. o que toda moça de boa familia deveria ter.]
Muitos dormem, mas eu prefiro estar aqui de olhos bem abertos vendo o que pouca gente ve.
Então, mergulho no silencioso e escuro caminho pelo Panamby até chegar ao meu predio. Friamente marrom/cinza e discreto. Me lembra uma muralha, o muro de embaixada...
para onde eu correria e estaria sempre salva em terra estrangeira.
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